A evolução da tecnologia nas bicicletas

Evolução

Márcio May em um contra-relógio na Volta da Juventude no Uruguai em 1990

 

Todos os dias nós vemos inúmeras novidades tecnológicas em relação as bicicleta, roupas e acessórios.

Quando comecei a competir, minha bike tinha quadro de ferro, pedevela com uma trava que chamava-mos de chaveta e vivia afrouxando, apenas 10 marchas e pesava uns 15 kg, o dobro de uma speed de hoje. Minha primeira sapatilha tinha sola de madeira e o taco para pedal com firma pé era pregado na sola em uma sapataria. O capacete tinha apenas umas tiras de couro que não protegiam nada. A bermuda tinha um forro feito de couro que depois de algumas lavadas ficava duro e precisa colocar vaselina para amolecer, nem comparado com os forros de Coolmax que temos hoje. O tecido das camisas era de lã e depois de lycra que ficava quente no verão e frio no inverno…

Na primeira vez que corri a Volta de SC, quando pegávamos chuva, após a prova o mecânico precisava abrir a caixa central, cubos e caixa de direção de todas as bikes da equipe. Hoje com rolamentos selados praticamente é só lavar e colocar óleo na corrente.

Vinte anos se passaram e tudo mudou. Além das bikes, roupas e sapatilhas, foram criados suplementos alimentares como o gel, barras de cereais, carboidratos e proteínas em pó.

Vitória na 9 de julho de 1992

Vitória na 9 de julho de 1992

Toda essa evolução significa ganho de rendimento. Li em uma matéria que em testes feitos com Lance Armstrong, foi analisado o seu desempenho e chegou-se a conclusão que se ele mantivesse a mesma potência de força e perdesse peso, melhoraria muito o seu rendimento. A conclusão é que em uma serra de 12 quilômetros com inclinação média, 30 gramas a menos significam 1 segundo a menos, ou seja, 300 gramas são 10 segundos e 1 Kg é igual a 33 segundos. Em um Tour de France que tem várias etapas de montanha deste tipo, apenas um quilo pode representar cerca de 7 minutos no resultado final.

O americano Greg Lemond foi o primeiro ciclista a utilizar de um guidão clip para contra-relógio e capacete aerodinâmico derrotando o Francês Laurent Fignon no último dia do Tour de France de 1989 por apena 8 segundos, graças a tecnologia. Como Fignon tinha cabelos compridos e na época não era obrigatório o uso de capacete, chegou-se a dizer que apenas um capacete aerodinâmico poderia ter melhorado seu rendimento em 10 segundos nos 24 quilômetros do contra-relógio, o que lhe garantiria a vitória final.

Câmbios com trocas de marchas precisas e até eletrônicos, com mais de 20 velocidades para todos os tipos de terrenos, materiais como fibra de carbono, titânio, alumínio, kevlar, entre outros, fazem parte do vocabulário e do conhecimento de qualquer ciclista atualmente. A bicicleta é a máquina que melhor aproveita a energia humana, tem a mesma tecnologia utilizada nos carros de fórmula 1, buscando cada vez melhorar mais o rendimento com o mínimo de força necessário e com maior conforto.

Campeonato Pan-americano 2006

Campeonato Pan-americano 2006

Quem ganha com isso somos nós, apaixonados por bikes, esses gramas que conseguimos com um selim mais leve, um quadro de carbono, um pneu que suporta maiores pressões e roda melhor, tudo vem a ajudar no nosso rendimento. Claro que de nada adianta ter uma bike de 6 quilos e estar 10 quilos acima do peso, o que vale é o peso do conjunto, ciclista e bicicleta.

Se bem que quando estamos fora de forma, necessitamos de uma bike mais leve ainda. Viva a evolução!

Texto: Márcio May – Publicado na Coluna Ciclismo a Fundo da Revista Bike Action

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