Anésio Argenton

Anésio Argenton

Anésio Argenton em foto que inspirou o logo da CALOI

A coluna Ciclismo a Fundo deste mês (agosto/2009) busca resgatar um pouco da história do ciclismo Brasileiro lembrando um grande herói da modalidade.

Anésio Argenton – Nascido em 14 de março de 1931 na cidade de Boa Esperança do Sul – SP, Argenton pode ser considerado um dos maiores ícones da modalidade no país. Sem dúvida, uma lenda viva do ciclismo brasileiro, e que aqui irá nos contar um pouco de sua história, de sua carreira, dedicação, conquistas, desilusões, curiosidades, alegrias e dificuldades encontradas em sua época.

Desde menino, reside em Araraquara e ainda bem jovem, começou a praticar o ciclismo pelas estradas de terra da cidade, onde começou a se despontar em competições pelo interior do Estado e, logo em seguida, dado o seu enorme talento para o pedal, partiu para o mundo, levando o nome de Araraquara e da Associação Ferroviária de Esportes e posteriormente da empresa Caloi.
O Início
Como se a “Sábia Mãe Natureza” já soubesse de seu potencial e o que o futuro lhe reservava nesse esporte, Anésio Argenton começou a praticar o ciclismo por iniciativa própria e com o incentivo de outros ciclistas da cidade de sua época. Pedalando com uma bicicleta de pneu “balão” por estradas de terra, dividindo o seu tempo entre o treinamento e o trabalho de entrega de mercadorias de um armazém da cidade. Logo começou a se destacar nos treinamentos e competições e vestindo a camisa da Ferroviária, venceu diversas competições pelo Estado. Com o destaque, recebeu um convite para competir pela equipe Caloi em São Paulo ao lado de grandes ciclistas brasileiros da época, como Roberto Barbosa, Antônio Alba, José de Carvalho, Cláudio Rosa, Luís Carlos Flores, entre outros, onde trilhou a maior parte de sua carreira. Naquela época o ciclismo profissional não existia, de forma que continuava a dividir o seu tempo entre os treinos e competições, e seu trabalho junto à antiga estrada de ferro Araraquara.
Anos Dourados
Com extrema dificuldade para realizar os treinamentos devido à falta de estradas asfaltadas, e como a maioria das competições eram realizadas em paralelepípedo e terra, as bicicletas utilizadas eram incomparavelmente inferiores aos dos adversários estrangeiros. Somado a essas dificuldades tinha ainda a falta de apoio, viagens longas para as competições e a falta de orientação nos treinamentos, que hoje são muito avançados.
Mesmo assim seus feitos são memoráveis, sendo o velocista Brasileiro de maior destaque até hoje. Anésio Argenton brilhou e reinou absoluto no país do final dos anos 40 até início dos anos 60.
Diversas vezes campeão nos Jogos Abertos do Interior na prova de Km contra-relógio, campeão sulamericano, campeão panamericano. Foi 7º colocado na prova de Velocidade (200m) e 9º colocado no Km contra-relógio (ambas provas de velódromo) na Olimpíada de Melbourne, na Austrália em 1956. Já nas Olimpíadas de Roma em 1960, foi 5º colocado na prova de Velocidade e 6º colocado na prova de Km contra-relógio com tempo de 1m09seg08, feito que é até hoje é o melhor resultado brasileiro do ciclismo em Olimpíadas.
Possui também a única medalha de Ouro conquistada por um ciclista Brasileiro em Jogos Panamericanos, em Chicago no ano de 1959 na prova de Km contra o relógio.
O Reconhecimento
Em 1996 foi considerado pela revista Época edição especial das olimpíadas de Atlanta, um dos 100 melhores atletas do século passado. Também foi homenageado pelo Comitê Olímpico Brasileiro no ano de 2001 na Escola Naval do Rio de Janeiro, com o “Prêmio Brasil Olímpico”, onde foram homenageada parte dos maiores atletas Brasileiros vivos de todas as modalidades na história das Olimpíadas, cuja placa de homenagem ele guarda com carinho.
Curiosidades
ü  No campeonato Sulamericano de 1959 em Caracas na Venezuela, o recordista mundial era um Venezuelano e estava com o melhor tempo da prova do Km contra o relógio até o último atleta a largar, que era Argenton. Pulverizando o tempo do Venezuelano e vencendo a prova, deixou o velódromo da cidade de Caracas em um silêncio fúnebre. O incrível é que o troféu de campeão ele não trouxe, porque simplesmente já estava gravado com o nome do Venezuelano, que achavam que era imbatível…
ü  Nas Olimpíadas de Melbourne em 56 e de Roma em 60, Argenton não contava com nenhum tipo de apoio técnico, mecânico, nem sequer alguém para segurar a sua bicicleta para a partida da prova do Km contra o relógio. Mesmo assim ele conquistou a 6ª colocação na prova do Km em Roma, onde o pai do grande boxeador Éder Jofre foi o seu prestativo massagista.
ü  O emblema que a Caloi utilizou durante as décadas de 60 a 90, onde um ciclista saía da letra L com as mãos no guidão, foi inspirado em uma foto de Argenton pedalando no velódromo do Ibirapuera, que foi desativado há anos.
ü  Argenton ainda possui a bicicleta Italiana Cinelli com a qual conquistou seus principais títulos.
Dias atuais
Aposentou-se do esporte de competição no final da década de 60, mas continuou ligado ao ciclismo passando seus conhecimentos como coordenador e dirigente esportivo da equipe de Araraquara por muitos anos. Trabalhou por muitos anos em sua bicicletaria, hoje desativada, no Bairro Santa Angelina, defronte a sua residência. Aposentado pela antiga Estrada de Ferro Araraquara e vive na cidade com sua esposa Antônia e suas filhas Márcia e Marisa.
Vitorioso no esporte e na vida, hoje aos 78 anos já superou um câncer no intestino e possui um desgaste nas articulações dos joelhos necessitando de um aparelho andador para se locomover, problema que poderia ser solucionado com uma cirurgia e colocação de uma prótese, mas que ele não conseguiu fazer ainda por falta de condições.
Deixamos aqui nesta coluna o pedido: se alguém souber de algum tratamento e tiver condições de ajudar, favor entrar em contato com Alessandro Giannini copaspciclismo@gmail.com
Finalizando
Anésio Argenton tornou-se um ícone do esporte nacional e mundial, por sua carreira memorável marcada de fatos intrigantes e da extrema dificuldade de sua época. Foi fonte de inspiração e motivação para atletas de diversas modalidades e gerações.
Uma das homenagens que recebe atualmente é a Prova Ciclística 22 de Agosto – “Troféu Anésio Argenton”, válida como a 13ª Etapa da Copa São Paulo de Ciclismo 2009, que será no dia 30 de Agosto, em Araraquara.
*Esta matéria foi baseada em entrevista feita pelo Professor Alessandro Giannini (Diretor da Copa São Paulo de Ciclismo e Comissário da Federação Paulista de Ciclismo/Araraquara-SP), amigo pessoal de Anésio Argenton. Publicado na revista Bike Action em agosto de 2009 – Coluna Ciclismo a Fundo
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3 respostas a Anésio Argenton

  1. Pingback: Ciclista Márcio May

  2. nilton de oliveira disse:

    Que legal ler essas matérias de nossos herois do passado, que coincidentemente conheci outro ícone da mesma época sr. Antonio Alba que continua de ótima saúde e de grandes historias dos anos 50/60
    Abraços

  3. marcio disse:

    Grande materia sobre este veterano ciclista, uma pena pela condição atual de saude que passa a fabrica caloi bem que poderia ajudar este senhor como a operação do joelho, acho que ele merece por levar o brasil nas olimpiadas e pelo que conquistou na estrada.

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