Como popularizar nosso esporte

Na Europa o público espera horas para ver a passagem dos ciclistas

Na Europa o público espera horas para ver a passagem dos ciclistas

Tenho observado alguns pontos em que podemos melhorar e fazer com que nosso esporte se torne mais popular. São detalhes simples, mas que podem fazer uma grande diferença.Temos que levar o nosso esporte para o público. Vejo que em países vizinhos, como a Argentina, as provas tem um grande público, claro que se deve a paixão que os Argentinos tem pelo ciclismo, mas talvez o motivo que eles gostem tanto é que as provas são feitas para as pessoas poderem acompanhar. Mas como fazer isso?

Seguem alguns exemplos que acho interessante:

- Aproveitando o horário de verão, as provas de ciclismo grande importância, com atletas de elite, são realizadas no período da tarde, sendo que as chegadas são programadas para acontecerem por volta das 19:30 horas no centro das cidades ou no alto de montanhas. Como todo mundo já saiu do trabalho neste horário, um dos programas é ir acompanhar a chegada dos atletas. Nas provas do Brasil, temos o costume de fazer as largadas e chegadas no horário em que todos estão trabalhando, diminuindo a chance de ter público e até mesmo para os amantes do ciclismo fica difícil acompanhar.

Cheguei a correr um contra-relógio por equipes na Volta de Mendoza em que largamos  por volta das 22 horas no centro da cidade e milhares de pessoas estavam assistindo.
Como atleta eu não gostei muito deste horário, mas analisando pelo lado do público, foi ótimo, e como no outro dia iríamos correr somente à tarde, não tivemos maiores problemas para descansar;
- Fazer as provas em estradas secundárias. No caso da Volta de São Paulo, hoje a maior das Voltas Brasileiras, as provas são feitas em  Autopistas, o que torna o nível da competição baixo e monótono, pois como não existe dificuldades de terreno, dificilmente o pelotão se divide. Se fossem feitas etapas por estradas secundárias, que geralmente tem subidas mais duras e estradas estreitas a prova ficaria com uma disputa maior, tendo a chance de alterações nas classificações todos os dias, aumentando o interesse;
Tem os fanáticos que dão uma exagerada...

Tem os fanáticos que dão uma exagerada...

- Passar a prova por dentro das cidades proporcionando aos moradores a condição de verem os atletas de perto sem ter que se deslocar, ao contrário da Autopista, onde poucas pessoas acompanham;

Utilizando as Autopistas deixamos muitas pessoas descontentes com o fato de atletas estarem em pleno dia de semana, no horário de trabalho, atrapalhando o trânsito de pessoas que tem compromissos com horários e inclusive pagaram pedágio para usar a rodovia. Temos que fazer com que as pessoas gostem do nosso esporte e não criar antipatia;
- Trazer ídolos do esporte internacional para participar. No Tour de San Luis, na Argentina, sempre vemos a participação de grandes equipes como foi o caso este ano da Liquigas e Saxo Bank com atletas de grande nome internacional . Já estiveram na prova os italianos Gilberto Simoni (Campeão do Giro de Itália), Ivan Basso (também campeão do Giro e vice-campeão do Tour de France), o luxeburgues Frank Schleck ,  entre outros, atraindo a imprensa inclusive de outros países.

- Criar mais eventos para amadores. Hoje temos poucas provas em que um cidadão comum que pedala duas  vezes por semana possa participar. É o caso da Copa VO2, Desafio Márcio May e Gran Fundo Brasil. No Moutain Bike e Triathlon já temos várias provas assim, mas o ciclismo de estrada está carente. Temos que proporcionar aos cidadãos comuns a oportunidade de largar uma prova junto com os profissionais, com a devida estrutura (abastecimento para os participantes) para todos completarem o percurso. Esse tipo de prova deve ser realizado em percurso de estrada como são os Gran Fundos da Europa onde largam milhares de ciclistas. Subir e descer montanhas, fazer algo desafiador. Provas de circuito são terríveis para quem tem pouco treino, fica impossível acompanhar o ritmo do pelotão da frente e tomar uma volta logo, desanima qualquer um. Já em um percurso de estrada, mesmo longo e difíci,l é extremamente desafiador e cada um pode fazer no seu ritmo. Chegar na segunda-feira e contar para os colegas de trabalho que conseguiu completar aquele percurso de 120 km é muito prazeroso. Prova disso é o sucesso de participação de milhares de pessoas em provas de atletismo. As corridas de rua atraem cada vez mais praticantes. E podem ser provas difíceis, pois o interessante é completar.

O Iron Man realizado em Florianópolis é considerado uma das competições mais difíceis que existe tem limite de 1.600 inscritos e ainda deixa ainda muita gente de fora. Esse tipo de prova motiva as pessoas a andarem de bicicleta que acabam convidando os amigos a fazerem o mesmo, ajudando assim na popularização do nosso esporte.
Os exemplos que citei não são difíceis de serem colocados em prática, mas que podem fazer uma grande diferença na popularização do nosso esporte e quem sabe um dia dar ao ciclismo o  reconhecimento merecido.
Texto: Márcio May – Coluna Ciclismo a Fundo da Revista Bike Action
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Uma resposta a Como popularizar nosso esporte

  1. norba disse:

    concordo perfeitamente com o marcio, mas deveria apresentar projetos e enviar-los a fpc e fbc para que possam estudar a melhor forma de fazer uma prova de ciclismo digna do esforços que os atletas merecem

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