Doping! Até quando?

Nos últimos anos o doping no ciclismo tem ganhado cada vez mais espaço nos noticiários internacionais.
Riccardo Ricco

Riccardo Ricco

Já não agüento mais ver notícias de escândalos e mais escândalos. Nos últimos dez anos nenhum Tour de France passou livre.

 Porque ciclistas continuam tentando burlar exames em busca da fama?
Será que podemos acreditar nos resultados das provas, ou tudo é uma grande mentira.
Fomos enganados quando vimos um Ricco atacando nas subidas e vencendo etapas no Tour. Ele nos roubou o espetáculo. Era pura mentira. Assistimos a um Tour espetacular vencido por Floyd Landis em 2007 e no final era mentira. Oscar Pereiro é considerado campeão, mas não chegou a Paris com a tão cobiçada camisa amarela. Foi Roubado.
Roubo sim, por que eles nos roubam o direito de ver realmente quem é o melhor. Roubam o direito do atleta que não se dopou poder comemorar a vitória.
Eu mesmo terminei em segundo em duas provas, a Volta do Rio e o Tour de Santa Catarina, ambas em 2002. Dois meses depois das provas o “campeão” foi desclassificado por doping e passei a ser o campeão. Fui roubado.
Roubaram-me o direito de sentir a vitória, de subir no pódio, de usar a camisa de líder, de comemorar. No Tour de Santa Catarina ainda foi realizada uma cerimônia de entrega do troféu, uma réplica na verdade, e na do Rio, nem isso. A premiação em dinheiro então, nem se fala…
Mas o que explica a atitude idiota de Alexander Vinokurov no Tour do ano passado quando foi pego por transfusão sanguínea? Ele sabia que havia exames que detectavam esta prática e mesmo assim se dopou. 
Ciclistas flagrados em exames por antidoping como estes deveriam ser expulsos do esporte e processados por roubo. É o que fez a equipe Lotto que está na justiça contra Vinoukurov por perda de publicidade, já que Cadel Evans terminou em segundo no contra-relógio do Tour do ano passado vencido por Vinoukurov.
 Ricco chegou a ser chamado na Itália de herói nacional devido às suas conquistas. Soltou veneno com sua língua afiada um dia antes de ser flagrado no exame falou: “Para mim, 90 por cento do pelotão são ciclistas inúteis. Estão na largada e se limitam a chegar à meta, dia após dia, ano após ano. Eu os chamo de vegetais… Estão ali, mas nunca servem para nada. Nunca serei assim. Gosto de atacar e, se algum dia for como eles será o momento de me aposentar.” Pura hipocrisia.
Depois virou vergonha nacional.
Hoje vemos que o ciclismo virou sinônimo de doping, da mesma forma que política é sinônimo de corrupção.
Mesmo assim, podemos considerar que o ciclismo está no caminho certo. Cada vez mais exames são realizados para desmascarar os mentirosos.
Murilo Fischer, que é o único brasileiro neste Tour, esteve treinando na altitude do Equador e médicos da UCI foram até o seu endereço realizar um exame surpresa.
Pagliarini já foi examinado de surpresa 3 vezes este ano e mais 15 vezes em competições. O ciclismo é o esporte mais controlado do mundo.
Muita coisa está sendo feita e muitos ainda irão cair na malha fina. Até o momento em que escrevi esta coluna, o último que havia sido flagrado era Ricco, e espero que não tenha mais ninguém.
A punição tem que ser severa com os atletas, com dirigentes, com médicos e com todos que foram cúmplices.
O doping sempre irá existir, é como o crime. Mas acredito que os resultados das provas serão cada vez mais verdadeiros e poderemos acreditar no ciclismo novamente.
Também esperamos que os jovens que iniciam no ciclismo não caiam na tentação do doping e sigam os bons exemplos e as federações coloquem mais exames nas competições no Brasil.
No final, o ciclismo vencerá!
Publicado na Revista Bike Action – Coluna Ciclismo a Fundo
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