Márcio May prepara sua aposentadoria do ciclismo

May prepara sua despedida. Foto: Beto Costa

May prepara sua despedida. Foto: Beto Costa

Já é tradição, durante os Jogos Abertos de Santa Catarina a presença de ciclistas de renome nacional e internacional nas provas da modalidade, embora nos últimos anos o regulamento tenha barrado algumas participações. Em Jaraguá do Sul, por exemplo, no meio de ciclistas da nova geração esta um que serve de espelho para muitos. É o catarinense Márcio May, 35 anos, 80 títulos e três olimpíadas. Voltando às origens e à competição que ajudou a projetá-lo em nível nacional, lá estava o ciclista participando das provas. Uma delas foi no sábado, no km contra o relógio, onde ele não competiu, mas emprestou sua experiência e apoio aos companheiros da equipe de Rio do Sul. 

Antes da prova conversou ao pé de ouvido com Diego Martins, o “Boi”, enquanto dava os últimos ajustes na bicicleta. Depois do incentivo do ídolo, o garoto foi lá e cravou 1min07seg47 e venceu a prova. Márcio May é assim, um atleta que vive o ciclismo intensamente e sem medo de passar o que sabe aos demais. O ciclismo sempre foi sua paixão.

No sábado, mesmo não estando com roupas apropriadas – trajava camisa azul de algodão, boné preto e bermudas – não resistiu. Pegou uma bicicleta e deu uma volta no circuito da prova. Parecia saborear seus últimos momentos de Jasc, que inclui dez participações e cinco medalhas de ouro.

Um dos maiores atletas do ciclismo catarinense e brasileiro resolveu se aposentar. Ele está em Jaraguá do Sul para sua última participação nos Jogos Abertos e fazendo uma espécie de despedida do ciclismo. “Acho que já está na hora. Depois de defender a Seleção Brasileira por 18 anos, participar de três Olimpíadas (Barcelona 92, Atlanta 96 e Atenas 2004) e cinco pan-americanos, decidi que essa é a hora. Confesso que ainda não caiu a ficha”.

No domingo, May correu a prova de resistência nos Jasc, ficou em 19º lugar, e esta, talvez tenha sido uma das últimas participações em competições, em Santa Catarina. Ele ainda disputa a Volta Ciclística de Santa Catarina que começa no próximo dia 15 e segue até 25 de novembro. A despedida de fato está marcada para o dia 6 de janeiro na Copa da República, em Interlagos, São Paulo.

Ao fazer um balanço da carreira, ex-atleta olímpico, nascido na cidade de Salete, mas que iniciou sua carreira de ciclista de fato em Rio do Sul, disse que todo esforço valeu a pena. “Conheci muitas pessoas e países por meio do ciclismo e ganhei tudo o que era possível. Acho que cumpri minha missão”, disse com alegria. Márcio May atualmente reside na cidade de Brusque..

Num flash back da sua carreira May lembra das sua primeira participação em Jogos Abertos, em 1987, em Criciúma, quando ficou em sexto lugar na prova de revezamento 4×100. Lembra ainda dos quatro títulos da Volta Ciclística de Santa Catarina, o que é um feito inédito, já que nos 20 anos da prova ele é o único tetracampeão. Na memória vem ainda a medalha de ouro na prova de resistência em 1996, na Venezuela e as duas medalhas de bronze nos Jogos Pan-americanos de Mar Del Plata, na Argentina, e a de Winnipeg, no Canadá.

Márcio May tem muita coisa boa para lembrar, foi considerado um dos ciclistas mais completos do país por sua regularidade em todo tipo de prova. Também pelo seu companheirismo, espírito de equipe e pelas suas qualidades técnicas. Tem títulos marcantes na carreira como quando foi campeão das seletivas para as Olimpíadas de Barcelona, em 1992; ainda quando foi campeão brasileiro 4×100 em 1993, e da Volta Internacional do Rio de Janeiro, em 2004. Também foi líder do ranking brasileiros por quatro anos (1999, 2003, 2004 e 2005) e tem ainda no currículo o recorde nacional de perseguição individual com 4min43seg371. Ainda tem troféus importantes como as conquistas em provas no Peru, Uruguai, Chile, Argentina e Colômbia.

Dois momentos diferentes marcaram ainda a vida do ciclista Márcio May. O primeiro, quando dedicou a vitória na Volta Ciclistica de Santa Catariana de 1997, à filha Carolina nascida poucos dias antes do início da competição. O segundo, há pouco mais de quatro meses, quando se envolveu em um acidente automobilístico. O carro em que viajava para o Brasileiro de Estrada capotou diversas vezes e ele sofreu diversas fraturas e passou por uma cirurgia delicada e corria o risco de ficar tetraplégico.

Depois de 22 anos de carreira, Márcio May resolveu parar. “Estou sentindo um friozinho na barriga, espécie de medo”, confessou. A partir de janeiro, o atleta pretende dar um novo rumo a sua vida. Vai se dedicar ao trabalho na área de marketing e vendas de Selins Fizik, um acessório de bicicleta. Nesta terça-feira o ciclista está em ação novamente nos Jasc, participará da prova contra-relógio individual na Rodovia SC 416. A competição inicia às 10h.

Antônio Prado

Publicado por: Marco Andrey Stopassoli.

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