Entrevista com o ciclista Márcio May, que vai disputar as Olimpíadas de Atenas

Márcio May

Márcio May

Ele está indo para a sua 3ª olimpíada e pode ser peça muito importante para o Brasil: sonhar com a sua primeira medalha no ciclismo, que terá a prova de estrada no dia 14/08. Foi o principal responsável pelo Brasil ter ficando entre as 30 melhores nações do Mundo (26º) e garantido uma equipe de três ciclistas em Atenas, ao conquistar a Volta do Rio, a prova mais importante do calendário ciclístico da latino-americano. 
Aos 32 anos de idade e com participação nas olimpíadas de Atlanta e Barcelona, o catarinense Márcio May é um dos ciclistas mais experientes do Brasil e o único selecionado que compete por uma equipe nacional, a Memorial-Santos, nº 1 do ranking brasileiro nos últimos quatro anos. Natural de Salete, no interior de Santa Catarina, vive atualmente em Brusque e defende a Memorial, desde a sua criação, em 1999.

Na olimpíada está confiante e diz estar bem mais maduro. Ele estará competindo ao lado de Luciano Pagliarini e Murilo Fischer, que atuam na Itália, como profissionais. Em Barcelona (92) competiu na 4×100 km, ficando em 23º lugar. Em Atlanta (96) teve uma queda, quebrou a bicicleta, tendo de abandonar a disputa.

Outros resultados internacionais importantes foram o título pan-americano de resistência, na Venezuela, em 96; a medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, no contra-relógio; e o ouro nos Jogos Sul-Americanos em Curitiba, na mesma prova. Outro momento importante da carreira foi o Mundial de 95, na Colômbia, quando conheceu o seu ídolo no ciclismo, o espanhol Miguel Indurian. Em 2004 é o nº 1 do ranking nacional e o melhor brasileiro no Mundial, além de estar figurando entre os 100 melhores do Mundo de 2004, sendo o único da lista que não atua em equipes profissionais em ação na Europa ou América do Norte. No ano passado, terminou a temporada como o líder do ranking nacional e teve várias conquistas importantes.

Foi o vencedor do Troféu Cidade de São Paulo, das Voltas de Goiás e do Litoral Paranaense, vice-campeão brasileiro de contra-relógio, bronze no Brasileiro de Estrada, melhor brasileiro nas voltas internacionais do Rio de Janeiro e do Chile. Também foi 5º melhor no Mundial B, disputado na Suíça, e logo na sequência, depois de viajar 24 horas e praticamente sem descansar, foi vice-campeão da tradicional 9 de Julho. A temporada contou, ainda, com a 3ª colocação na Volta de Santa Catarina, ficando perto do tetra. Também em 2003 foi um dos principais personagens dos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, ao disputar a última medalha do evento até os metros finais, sendo, inclusive, elogiado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em homenagem no Palácio do Planalto. Nesta temporada, o grande objetivo era justamente a conquista da vaga olímpica. Começou muito bem, liderando boa parte da Volta do Estado de São Paulo, até sofrer uma queda antes da etapa de contra-relógio, competindo com um grande corte na cabeça.

Depois de Atenas, outra prioridade será a 18ª edição da Volta Internacional de Santa Catarina, no início de setembro, quando tentará o tetracampeonato individual. No ano passado, ele foi o 3º colocado, mas comemorou o título do companheiro de equipe, Antonio Nascimento, o Tonho, que este ano garantiu o título da Volta do Estado de São Paulo, outra importante competição.

Nesta disputa, May era o líder, mas uma queda durante o aquecimento, quando o parafuso do selim quebrou, fez com que ele perdesse a ponta, reconquistada pelo companheiro de equipe. A idéia este ano é que o grupo, que conta com outros nomes de destaque, como Hernandes Quadri Júnior (17 vezes campeão nacional), assegure a “Tríplice Coroa”, vencendo as três principais voltas realizadas no Brasil. Dois terços da meta já foram cumpridos. “Espero ter uma temporada muito boa. Nossa equipe já venceu as duas principais voltas até agora, a do Estado de São Paulo e da do Rio. Vamos buscar também Santa Catarina”, afirma.

Acompanhe a entrevista com Márcio May:

Agora, com a vaga assegurada, qual é a emoção de disputar a 3ª olimpíada na carreira?
Márcio May: A emoção é grande, estou muito feliz. Esta vaga foi muito disputada, não somente entre os brasileiros, mas com todos os países.

Qual a expectativa para atenas? Acredita em chances reais de bons resultados?
Márcio:A gente tem de acreditar. Claro que o ciclismo europeu está muito à nossa frente, mas temos evoluído bastante. Além disso, temos o Luciano Pagliarini, que este ano venceu três provas, chegando na frente dos grandes velocistas. O Murilo também tem tido bons resultados lá na Europa. E eu estou bem mais maduro do que nas outras olimpíadas que participei.

Como é competir com o Pagliarini e o Murilo?
Márcio:Acho ótimo. O Luciano foi meu companheiro de equipe na Caloi durante dois anos e conseguimos ótimos resultados. O Murilo é da minha cidade e sempre treinamos juntos quando ele está por aqui em Brusque. Além disso, sempre fui um grande incentivador do Murilo e fico contente em podermos competir juntos.

Fala sobre sua relação com os dois e também o que poderão fazer juntos, pela experiência de já se conhecerem.
Márcio:Somos grandes amigos e nos conhecemos bem. Isso é importante, pois a gente pode se ajudar mais fácil. Eu conversei com o Murilo e ele esta vendo a possibilidade de eu ir para a Itália e competir algumas provas por lá antes da Olimpíada e também poderei treinar junto com os dois, já que moram na mesma cidade na Itália.

Você sempre acreditou nessa vaga?
Márcio:Sim! Desde o ano passado venho fazendo as contas de quantos pontos precisávamos para classificar. A Confederação Brasileira fez a sua parte incluindo várias provas no ranking mundial, dando assim a oportunidade de pontuarmos. Conseguimos fazer a nossa parte e garantir assim essas três vagas.

Como estava a sua cabeça na volta do rio?
Márcio:O meu objetivo era a Volta do Rio. Me concentrei e dediquei ao máximo para estar bem nesta Volta, porque era a que valia mais pontos. Estava muito ansioso vários dias antes, pois na volta de São Paulo tudo estava correndo bem e de repente uma queda me tirou da briga. Só fui relaxar quando terminou.

E os planos para o futuro?
Márcio:Agora é fazer uma preparação voltada para a Olimpíada. Já conversei com o meu preparador físico, que está elaborando os treinamentos voltados para Atenas.

Sua equipe ajudou muito para você alcançar esse objetivo. O Hernandes Quadri Júnior é um velho companheiro de mais de 10 anos. Como é essa relação?
Márcio:A equipe é fundamental. No ciclismo ninguém vence sozinho. Agradeço a todos os integrantes da equipe que me ajudaram: atletas, massagista, mecânico, técnico, assessor de imprensa e patrocinadores. O Hernandes é o mais velho companheiro. Já corremos juntos em Barcelona e Atlanta e hoje ele também ajudou para que eu conseguisse ir a mais uma Olimpíada. Por isso somos uma equipe. Um por todos, e todos por um…

Tema:Biking
Autor: Redação 360 Graus
Data: 23/5/2004

 

 

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