Olimpíadas de Londres

O ciclismo da Grã Bretanha foi destaque em Londres devido aos ótimos resultados. Mesmo deixando de conquistar a prova de resistência onde Mark Cavendish era o grande favorito, os britânicos levaram 12 medalhas, sendo oito de ouro.

Bradley Wiggins também fez história em Londres. Depois de se tornar o primeiro britânico a ganhar o Tour de France, este ano, ele se tornou o atleta do país com mais medalhas olímpicas, aos conquistar o ouro na prova contrarrelógio, chegando a sete pódios na carreira.

Bradley Wiggins levou ouro no contra-relógio

Com tudo isso, foi grande a empolgação dos torcedores britânicos dentro do Velódromo, com capacidade para 6 mil pessoas. Quem não teve a oportunidade de estar no local de competição fez a festa pela cidade onde foram instalados telões instalados nos parques de Londres que ficaram lotados durante a transmissão do ciclismo. Até famosos como Paul McCartney estiveram presentes nas arquibancadas do velódromo.

Apesar de o ciclismo ter história na Grã-Bretanha, o primeiro ouro do país em Olimpíadas aconteceu em Barcelona-1992, com Chris Boardman, na perseguição individual. Em Sidney-2000 e Atenas-2004 os britânicos levaram quatro medalhas, mas o desempenho mais notável foi em Pequim-2008, com nove medalhas. Agora em Londres-2012, foram 12 medalhas.

Além do incentivo para a população usar a bicicleta na vida cotidiana nas ruas de Londres e de outras cidades do pais, existe grande apoio à modalidade na Grã-Bretanha. A Federação de Ciclismo Britânica possui diferentes tipos de programas na preparação dos atletas de diferentes categorias, desde crianças, passando por um nível de profissionais regionais até ciclistas olímpicos, com diversos campeonatos espalhados pelo país.

Lembro-me de ter lido alguma reportagem há uns 5 anos atrás em que afirmavam que teriam uma equipe com condições de vencer um Tour de France dentro de uns 5 anos. Pois os 5 anos se passaram e conseguiram fazer dobradinha.

Na olimpíada de Atlanta em 1996, a Grã Bretanha ficou em 36º lugar com apenas uma medalha de ouro. Este ano terminou em 3º com 29 ouros. Mas porque esse sucesso tão grande? Porque houve planejamento a longo prazo, investimento em base, na criação de atletas desde a juventude para que o resultado aparecesse 8, 12, 16 anos depois.

Murilo Fischer foi o melhor brasileiro na prova de resistência terminando na 31ª colocação, sendo o 6º colocado no sprint do pelotão logo atrás de Mark Cavendish que ficou em 29º. Uma boa colocação considerando que 26 atletas chegaram escapados e nem a forte equipe britânica conseguiu alcançar. Murilo apostou que a prova viria para o sprint e se isso tivesse ocorrido teria chances de ficar entre os 10 primeiros.

Já Magno e Gregory não conseguiram terminar a prova, o que era esperado pois os dois ficaram muito tempo sem competir antes das Olimpíadas. O mesmo que aconteceu comigo em 2004, pois não tínhamos provas por aqui, enquanto a maioria dos ciclistas estava no Tour de France. O ritmo é completamente diferente e a CBC e COB precisam investir mais nesta preparação levando os atletas a disputarem provas duras antes das Olimpíadas. Já no contra-relógio Magno ficou na 26ª colocação, Clemilda em 18º no contra-relógio e 23º na estrada e Rubinho foi 24º no Mountain Bike.

No Brasil temos o costume de deixar tudo pra cima da hora, de querer resultados imediatos. Quando decidimos investir em algo queremos que o resultado apareça na hora. Para olimpíada do Rio faltam apenas 4 anos, pouco tempo para fazer alguma mudança tão grande, mas é a grande chance de darmos o pontapé inicial.

Um exemplo de iniciativa com visão a longo prazo é a criação da equipe Caloi de Pista através do movimento LiveWright que já está em ação com uma base de treinamento no velódromo do Rio e com uma equipe inicial de 15 atletas que terão toda a estrutura necessária para se desenvolverem. Além disso, foi contratado o técnico inglês Simon Jones para supervisionar os treinamentos. Simon Jones foi quem revelou ao mundo nada mais, nada menos que Mark Cavendish, Bradley Wiggins e Chris Hoy.

O ciclismo distribui 60 medalhas nas 20 provas em disputa entre estrada, pista, mountain bike e BMX, quem sabe no Rio poderemos ter a chance da primeira medalha do ciclismo.

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